sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Saber que somos espíritos e que reencarnamos em outras vidas, nunca me privou do medo da morte. Porque com ela, as relações são finitas, as memórias se apagam e eu volto a este plano sem nunca saber de tudo o que vivi. Meu medo é do esquecimento de tudo o que me habitou, de chegar a mais longa distância, esta, onde tudo se perde para ser outro.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Eu e a professora de Pilates temos uma coisa em comum:
colecionávamos recortes de revista e posters do Leonardo di Caprio quando mais novas.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Quando abri o jornal naquele dia, tive a impressão que esse poema seria como um desses filmes longos que com tanto espaço, vamos pra longe, voltamos e ele ainda acontece. Mas o poema me surpreendeu, e agora, desde o seu início, felicito-o.


O tempo que faz, Claude Roy (trad.Claudia Pessoa)

É infinitamente possível para não ousar dizer certo
(nossa única razão é a de não tê-la)
que essa manhã de inverno de onze de Abril de mil novecentos
e setenta e oito no calendário do papa Gregório XIII
(feito para recuperar os dez dias de atraso do tempo ocidental
acumulado pelo tempo solar desde o Imperador Juliano)
é infinitamente possível que a claridade de inverno desta manhã
o sol claro e frio de uma primavera gelada
a erva gélida coberta de geada e os tordos
a debicar pelo prado as últimas maçãs esquecidas
e a gata sinuosa com sua veste cinza malhada a caminhar
pelo muro com doçura e os gritos das crianças
a brincar pelo caminho e posto ao lado da xícara de café
o jornal de ontem à noite que discursa em duas colunas
sobre o próximo aumento do preço do petróleo
e o rastro a céu aberto de um invisível avião
que ergue na vertical uma enfiadura de longo fio branco
e o grande despertador de ferro a soar na cozinha
e todo o etcetera de uma manhã comum
- é infinitamente possível que tudo isso e você e eu
já acontecera acontece acontecerá de novo
acontecera acontecerá numa manhã quase igual
inverno quase idêntico quase tão frio a um grau de proximidade
num Abril muito parecido com o de agora
com a mesma geada e os mesmos cristais de gelo
o mesmo verde da erva com a diferença mínima
de alguma partículas apenas a mais ou a menos
com os mesmo tordos de ventres avantajados a debicar as mesmas maçãs
podres a mesma gata cinza e pouco importa
se as malhas não são exactamente sobreponíveis
ao gato de alguns milhões de anos atrás ou ao gato
de um futuro anterior análogo ao presente
já que podemos considerar praticamente negligenciável
que haja entre os tic-tac dos despertadores a soar
(os quase mesmos na repetição do tempo)
como nos batimentos cardíacos dos corações seus e meus
uma diferença de ritmo tão infinitesimal
que nenhum ouvido mesmo o de Deus se ele existisse
não perceberia
e da qual não se dá conta o cálculo sideral
que arredonda as cifras que nega as diferenças e abole
a ilusão de que cada um é único exclusivo primeiro
último
Mas se tudo isso e todo o etcetera do catálogo das coisas
existentes
se tudo que está aqui na mesma claridade pura
acontecera acontece acontecerá cada elemento
desta manhã de inverno sol erva geada pássaros
gato crianças jornal café avião despertador Loleh
e eu cada um porém tomado pelo sentimento
de que não há mais do que uma única manhã aqui dia fugaz
um único sol para nunca e nunca mais
seu repousar. Mas a gata e o tordo e o traço
branco no céu vivo rasgado pelo avião
e o despertador e o seu coração e o meu se
sentem irremediáveis os exclusivos os sem-iguais
perecíveis evasivos apagáveis de tal forma únicos
no mundo
que talvez já os tenha visto e os voltará a ver
talvez
Mesmo se nós acontecêramos e somos mesmo se outros
nos aconteceram
mesmo se imutáveis e incontáveis são os céus
os invernos e incontável o amor eu nomeio entretanto
aquilo que só acontece uma única vez que acontecerá sempre.

domingo, 31 de julho de 2011

A metáfora da "minestre riscaldate" ou o acúmulo de atraentes vazios.

Então é isso: tudo o que faço é viver de passados, que tomei por inacabados quando na verdade tiveram um fim que não idealizei. Por isso insisto em meias histórias que não enganam intensidade, mas aparecem como um provável presente, com o qual mantenho uma relação de auto-sabotagem, porque de alguma maneira, me nutro deles, como pensamentos sobre sentimentos e não sentimentos reais. Eu não os amo. Só gosto de pensar que poderia.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Três horas bonitas

Quando a Leda falou vagarosamente da Marina na primeira madrugada fria daqueles dias de São Paulo. A Marina, que é infância no prazer mais puro, experimenta a transição na compreensão e na incapacidade habitual de saber dizer não.

O pai da Leda e a Ivone, vestidos com roupões bordados com seus respectivos nomes, na preguiça de sábado, na identificação mútua que existe espalhada pelos cantos mais inesperados.

A Iera discursando pausadamente, sobre sua conversa minutos antes, com a Marina. Ela explicava que achava muito boa a idéia de morar com uma amiga aos 20 poucos, importante tirar boas notas, e finalizou contando que estava com o Artur porque ele era o melhor de todos eles. O Artur olhou rapidamente pra ela, confessando seu amor silencioso.

quarta-feira, 27 de julho de 2011


Projeto para um presente de natal que já foi
Odeio dicionários escritos como pistas de caça-tesouro em círculo. Quando se procura uma palavra, a definiçao dela é um simples sinônimo. Quando procuramos o sinônimo, a definição dele é a tal primeira-palavra opção.