quarta-feira, 23 de maio de 2012

Existe uma coisa interessante no tempo mais escasso, algo mais saboreado, uma exaustão meio divina e uma preguiça muito bem vinda e nada castigada no final de cada dia, e assim, de cada semana.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Convido todos você para minha exposição individual que durará apenas um dia em um esquema mais intismista em um apto na Praça São Salvador, Rio de Janeiro, ao lado do Bar Brasil. Até lá!

sábado, 28 de abril de 2012

A minha atividade de sábado preferida: vagar pelos cômodos da casa, pensar pelo cômodos, começar uma atividade e continuar em outra, não fazer absolutamente nada e não ascender nenhuma das luzes. Observar a luz natural desmanchando sobre cada recorte. Existir por ali enquanto o escuro preenche a casa inteira. Continuar vagando, dessa vez tateando o já conhecido. Eu e a casa. Em silêncio.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Acho que estou construindo amor.

domingo, 15 de abril de 2012

Na minha caixa de email, ela toda ressentida questiona a ausência dele devido ao rompimento da amizade e o motivo (provavelmente inexistente) desse sumiço todo. Não sei explicar, até porque vivemos durante algum tempo em países diferentes e mesmo quando vivíamos aqui, ele andando no metrô sem encostar as mãos nos ferros de equilíbrio gordurosos, eu não conseguia desvendar quando ele gostava, quando não, era tudo a mesma coisa. Tento ser sucinta, argumentando que as relações são assim mesmo: mudam às vezes para melhor, às vezes para pior e lamentamos alguns percursos e ficamos guardados em casa se perguntando porque motivo idiota alguém deixou de nos falar algo, para sempre, algo. Depois penso que é mais que natural que ele fiquei do lado do melhor amigo e te odeie porque você mudou o seu corte de cabelo, porque na verdade, ele não te odeia por nada, mas ainda assim é o melhor amigo do outro. As pessoas escolhem lados por convenções simples, porque é mais fácil não ter que lidar, porque não terão de dar explicações justas aos melhores amigos, e sim, no mínimo, aos conhecidos. E assim, não o farão. Eu acho que só vale a pena tentar desvendar os motivos pelos quais as pessoas nos falam, e não porque o deixam de fazer. É mais doce, e mais divertido.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Vou desvendar toda a discografia dos Beatles, decorar todas as letras, conhecer todas as gravações e todos os arranjos.
Vou aprender créole e algum instrumento de sopro. Não vou mais trocar o r pelo s, e vou parar de fingir que as empanadas de carne moída são alho poró. Vou criar a poção mágica que encurte as distâncias, acelere o tempo, prolongue o instante, tudo isso, só quando a gente precisar. E quando o sol estiver pra nascer, a fome se manifestar, as pessoas entrarem em contato, vou cantar a música do Vinícius de Moraes "podem me chamar e me pedir e me rogar" e fingir que o mundo não existe, porque é isso tudo que a gente faz quando se apaixona.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Eu andava pela Avenida Paulista num inverno tardio de novembro e minha falta de equilíbrio acabou me trazendo sorte. Não o vi, apesar de seu tamanho nada discreto, e acabamos nos esbarrando em frente aquele prédio que estava coberto pela metade por um tipo incomum de papel de parede. Depois de nos olharmos, analisamos em silêncio o papel de parede. Eu disse primeiro: resolveram mudar o cinza por esse papel de parede geométrico. Como será que essa decisão foi feita? Ele respondeu: talvez tenham feito uma votação da reunião de condomínio depois que alguém trouxe a sugestão. Aquele papel de parede iria instaurar um novo padrão arquitetônico (ou decorativo) para a Avenida que estava repleta de prédios lisos em tons de cinza e alguns vidros espelhados.
Concordamos na suposição e caminhamos em direção ao único lugar aberto para comer àquela hora. Quando fiz meu pedido, batata recheada com strogonoff de carne, ele olhou um pouco decepcionado e disse que tinha que encontrar um amigo.